Onde estão as cartas
que escrevia de madrugada
enquanto esperava o sol clarear pela janela?
Eu vejo hoje com clareza
Que a pele que queimava em meu corpo
Não é feita de pedaços rebocados de cimento
É quase uma murulha diante da imensidão
Que devasta e enfeita o mundo a fora
Queria dizer que não vejo a hora
de dedilhar a esperança em um bocado de palavras
Bem ditas, benditas
Porque aprendi na verdade do mar
Que de nada me vale
Pôr o barco para navegar
Se não for esperta o bastante
e mergulhar
Vi que no porão da minha casa
Guardei na estante muitos poemas
incompreendidos
Vejo-os agora sob a luz solar
E era eu nas entrelinhas dos versos que
escrevi
Ando por enquanto devagar enquanto observo o pôr do sol
Me trazer outras mais tantas memórias
Que não sei ao certo se guardo-as à sete chave
ou deixo-as jogadas ao relento


Olá, como estão?? Depois de tanto tempo, eu voltei! Espero que gostem!!

A covardia e a coragem

Há o que te acorrente
     e covardemente
faça-te covarde
      Mas, há, ainda
o que se mantém encoberto
por películas que te revestem
               e neste o quê
há teu espírito que afugenta
       a
c o v a r d i a
           que ronda-te, noite e dia
Esperando para fazer
        de tu:
       morada
Saibas, no entanto, caminhar
pelos mistérios que te fazem
E, assim, libere do teu peito
        o espírito que te suspira
  c o r a g e m



Olá, como estão? Depois de tanto tempo, voltei com mais um poema! Espero que gostem!

Não ame pelas beiradas

Não ame como amam os hipócritas
que não sabem
como é, de fato, amar
Não ame pelas beiradas
Saciando fracionadamente
tua vontade de amar
Ame, ao contrário, em excesso
Jogue-se nas mais profundas 
águas do amor
E se deixe banhar
pelas ondas emocionais
que elas podem te proporcionar
Ame até quem não sabe amar
Porque assim é o amor
despretensioso
E a ele só cabe
Amar



Olá, como estão? Eu sou a Érika e, hoje, trouxe um novo poema. Aproveitem! 

Posse

O sol brilha sobre nós
E imagina que louco
Perceber que ninguém possui
Ninguém
Que a vida em suas danças
Vai e volta livremente
Sem se prender a nada
A ninguém
 E ainda que ligues
Não existe
Imaginação
Sua
Porque as asas que se abrem
Alçam voos
Para outro lugar
Ainda que queiras
Ligar-se
Nesse universo disperso
De infinitas possibilidades
Cada um tem seu próprio conjunto
De eventos casuais
E, eventualmente, podem se intersectar
Mas, não deixam de ser
Diferentes conjuntos
Que não se possuem
Nem se contêm 



Olá, como estão? Eu sou a Érika e faz algum tempo que não posto nenhum poema. Mas, trouxe para vocês um hoje! Espero que gostem! 


Sigo

Se seguisse um caminho
retilíneo
poderia ver um horizonte mais firme
Mas, ainda assim, horizontes são voláteis
e de tão impressionada com suas linhas
continuaria distraída em alcançá-lo
Acontece que sigo por curvas
e cada instante, perco-me em
um novo olhar
Acho que é melancólico
de se pensar, que entre
descobertas
disfarces surgem
em verdades absolutas
Mas, cabe-me
enquanto aprendiz de poeta
contentar-me com as palavras
que escrevo-me
em versos
porque o caminho que sigo
não tem “restart”


Olá, galerinha! Como estão? Eu sou a Érika e, depois de tanto tempo, trouxe um poema para vocês! Espero que gostem!

Escolha-se

Descobri que a alma tem um
Jardim próprio
Um ecossistema desconhecido
Que desbrava-se pela vontade de viver
Um oceano para se navegar
Afundar, boiar e descansar
E anjos e demônios demarcam território
Uma luta implacável
Escolha seu lado
Dentro da sua alma
Que tem um timbre único
Escolha-se
Há mais beleza do que terror
É o crepúsculo da sorte
Bonito demais para se ver
A olho nu
Autêntico e altruísta
Em essência
Uma estrela cadente
Não se importa com as desavenças
Escolha seu lado
É um caminho nebuloso
Até o fim do arco-íris


Olá, como estão? Eu sou a Érika e espero que gostem do poema de hoje!

Me disseram

Me disseram antes de sair
Que o universo gosta de brincar
De querer e querer o domínio
Sobre nosso corpo, nossa voz
Que vaga sem sentido
Pelas esquinas de uma rua
Carnavalesca durante fevereiro
Num país do futebol
Neymar é o ídolo de pão e circo
Me disseram antes do meio-dia
Que eu deveria pintar o meu rosto
E eu acho que estou usando um nariz de palhaço
Porque ouço a todo instante
Risadas do topo do planalto central
Vou abrir minhas asas
E sobrevoar pelos morros pacificados
Mas temo que uma bala atinja o meu peito
Me disseram antes do pôr-do-sol
Que eu deveria ser uma boa menina
E acenar quando for o momento
OPORTUNO
Que deveria me contentar
Com um romance novelesco qualquer
Estender minhas mãos e aplaudir
A educação morta pelas avenidas
SUJAS
Me disseram pela madrugada
O que eu deveria dizer
Para confortar os rostos amargos
De quem não vê as regras
IMUNDAS
Desses jogos premeditados
Me disseram antes de cair no sono
Que a ordem e o progresso nacional
Que o país do futuro
Que a pátria educadora
Anda a milhares de anos luz
PARA TRÁS
Me disseram durante o sonho
Para eu me calar